Santana
de Parnaíba nasceu às margens do rio Tietê,
durante a administração de Mem de Sá, terceiro
governador-geral do Brasil. Há registros de que o primeiro a
se instalar na região foi o português Manuel Fernandes
Ramos, participante de uma expedição realizada em 1561
por Mem de Sá para explorar o sertão – no sentido
Rio Tietê abaixo, em busca de ouro e metais preciosos. Estabeleceu-se
no povoado, construindo uma fazenda e uma capela em louvor a Santo Antônio,
mas sua estrutura precária não resistiu às constantes
enchentes e acabou destruída. Posteriormente, seus herdeiros
e sua mulher, Suzana Dias, resolveram erguer, em 1580, uma nova capela,
desta vez em honra de Sant’Ana.
Em 14 de novembro de 1625, o povoado que cresceu ao redor da capela
foi elevado à categoria de vila com a denominação
de Santana de Parnaíba. Durante o período colonial, a
vila possuía apenas uma economia de subsistência, baseada
nas lavouras de trigo, algodão, cana, feijão e milho,
sustentando um pequeno comércio com as povoações
vizinhas. Seus habitantes, para contornar as dificuldades econômicas
decorrentes de seu isolamento em relação à metrópole,
contavam com o fato de a vila ser um importante ponto de partida do
movimento das bandeiras, que exploravam o sertão com o duplo
objetivo de capturar indígenas e descobrir metais preciosos.
Nos séculos XVII e XVIII, Santana de Parnaíba conheceu
um certo desenvolvimento, promovido pelo emprego da mão-de-obra
indígena e pela chegada de famílias importantes, como,
por exemplo, a dos Pires. Apresentou-se, por um lado, como uma das principais
áreas de mineração da capitania, tendo dentre seus
moradores o padre Guilherme Pompeu de Almeida, que foi um grande financiador
das bandeiras paulistas; por outro, como núcleo exportador de
mão-de-obra indígena para as demais capitanias, entrando
muitas vezes em confronto com os jesuítas.
A vila chega ao século XIX desenvolvendo poucas atividades econômicas,
situação agravada ainda mais pela abertura de novas estradas
que ligavam São Paulo a outras vilas e cidades sem passar por
Parnaíba. Sofreu também o impacto de não ter havido
em suas terras a substituição da cultura de cana-de-açúcar
pela de café. A cidade permaneceu estagnada até o início
do século XX, quando a Light & Power Company construiu sua
primeira usina hidrelétrica no país, abrindo um novo campo
de trabalho na região. Sua denominação foi reduzida,
não se sabe quando, para Parnaíba, mas em 30 de novembro
de 1944 volta a adotar seu nome atual, Santana de Parnaíba.
Graças às técnicas de restauração
desenvolvidas pelo Projeto Oficina Escola (POEAO), Santana de Parnaíba
preserva seu patrimônio histórico. Com suas construções
coloniais, a cidade concentra um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos
do Estado, com 209 edificações, tombadas, em 1982, pelo
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico,
Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo
(CONDEPHAAT). Mas antes, em 1958, a residência bandeirista urbana,
construída na segunda metade do século XVII, onde atualmente
funciona o Museu Histórico e Pedagógico Casa do Anhangüera
e o sobrado construído no século XVIII, onde está
instalada a Casa da Cultura, foram tombados pelo Instituto do Patrimônio
Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN).